O carro, um dos símbolos da cultura hedonista do século 20, está virando uma máquina monótona e prática, como uma geladeira ou um ventilador. Hoje, ele evolui no sentido de ganhar autonomia. Está cada vez mais conectado, envolvido (e cercado) por sensores de alta precisão e integrado com outros carros. Os limites para dirigir também são cada vez mais estritos e pouco se aproveita da potência do motor. É fato que o prazer analógico proporcionado pelo carro está se esgotando, embora ele preserve o apelo estético. Mas a sensação de velocidade, de fazer uma curva, de testar os próprios limites, de controlar o medo, virou uma coisa do passado. No lugar do vento da estrada, aproveita-se o ar condicionado. Na maior parte do tempo em que se dirige, nosso comportamento é repetitivo e entediante. Dirigir é só um ato de responsabilidade e de cidadania.

su_1822

 

O especialista em controle veicular Thomaz Lukaszewicz, responsável pela área de direção automatizada do Centro de Pesquisa e Engenharia Avançada da Ford, conhece esses assuntos e fez uma palestra no Brasil, no último dia 29, acompanhada pelo Delírio Digital. Ele calcula que, em cinco anos, considerando o ritmo de evolução dos recursos tecnológicos atualmente disponíveis, estarão sendo lançados veículos com nível 4 de autonomia, ou seja, com autonomia completa, que dispensam a necessidade de um motorista. Essa escala vai de 0, sem autonomia, até 4. Muitos carros no mercado hoje têm nível 2 de autonomia, com pelo menos duas funções primárias de controle, como sensores de aproximação e faróis inteligentes. O carro do Google é um exemplo de nível 3, assim como alguns caminhões avançados, caso do Freightliner Inspiration, da Daimler, que tem autonomia completa durante a maior parte do tempo, mas exige a presença de um motorista. O Google, que concorre diretamente com as montadoras nessas novas tecnologias, acaba de colocar para circular 48 de suas unidades autônomas pelas ruas americanas. Para que se atinja o nível máximo de controle, segundo Lukaszewicz, uma limitação atual  é a inexistência de mapas de alta definição, que garantam uma precisão centimétrica para a localização dos carros com a utilização das redes WiMax.

google1

Claro que a autonomia dos carros sempre será controlável. O motorista continuará tendo um botão disponível para mudar do nível 0 para o 4. Desde que tenha responsabilidade fará o que quiser. Mas a realidade de autocontrole e controle externo se impõe. A segurança não só do condutor, mas também de todos que o cercam – outros carros, pedestres, bicicletas, motos, etc, precisa ser preservada a todo custo. Com o esgotamento das sensações analógicas, o futuro do carro pode ser sua conversão em ambiente virtual.  No último Salão de Tóquio, em outubro, apareceram alguns carros que apontam para uma possibilidade futura de encapsulamento completo da cabine, que será sempre opcional. Se o carro for mesmo autônomo, ele pode se transformar em uma cabine fechada e escura com todo tipo de simulação interna. Ele poderia estar a 40 quilômetros por hora em linha reta, mas a experiência na cabine seria a de cair de um precipício batendo nas pedras, ou, fechando as janelas, e apertando outro botão, poderia ser a experiência de uma discoteca. Ou, se tivesse um terceiro botão, poderia virar um motel. O importante é que o carro seja um lugar legal para ficar, bem refrigerado e que nunca passe de 60 quilômetros por hora no perímetro urbano. Quem não está satisfeito, que mude de planeta.

 

O carro autônomo do Google

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: